O Cerrado e suas características

O CERRADO

 

Maria José Alves Bertalot e Eduardo Mendoza

 

Associação Biodinâmica

 

 

 

Botucatu, fevereiro de 2002/agosto de 2011

 

  “Eu nasci em meu Cerrado e aqui hei de ficar,

 tem piqui,  tem cagaiteira, que faz a fome passar”.

(Verso Popular, citado por  Siqueira (1988).

 

Caryocar brasiliense – Pequí

A Ilse Silberbauer-Gottsberger e G. Gottsberger, cujos estudos sobre o Cerrado na Região de Botucatu possibilitaram e estimularam esta pesquisa.  

 Em 1990 o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) reconheceu a necessidade de elaborar uma Convenção sobre Diversidade Biológica, cujo objetivo central foi a conservação da biodiversidade, mantendo a maior variedade de organismos vivos, de comunidades e de ecossistemas a fim de atender as necessidades das gerações presentes e futuras.    O documento final da Convenção foi assinado por representantes de cerca de 160 países participantes da ECO-92.  (SMA/ Boletim No. 1, 1995).

            Os participantes do “Seminário  sobre Agrossilvicultura e Florestas”,  ministrado pelo ecologista holandês Allrick Copijn, realizado na Casa Some e promovido pela Associação Elo, Bairro Demétria, Botucatu, de 05 a 07de Janeiro de 1993, face a  necessidade de se preservar os poucos fragmentos existentes de Cerrado e preocupados com a perda da grande biodiversidade, redigiram uma carta ao Secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, Sr. Edis Milaré, solicitando o seu empenho no sentido de que fosse iniciado um trabalho para viabilizar uma política de amparo para o Cerrado, suas formações e estágios sucessionais. 

Em 1995, o Secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, Fábio Feldmann, considerando a necessidade  de viabilizar o uso sustentável da biodiversidade biológica e das formações de Cerrado,  instituiu o Programa  Estadual para Conservação da Biodiversidade – PROBIO/SP.  Este Organismo, conjuntamente com a SMA e a Sociedade Botânica de São Paulo-SBSP, organizou o Workshop “Bases para a Conservação e  Uso Sustentável das Áreas de Cerrado do Estado de São Paulo, realizado de 12 a 15 de Outubro,  no Campus de Pirassununga, USP, contando com a participação de diferentes Instituições e ONG’s.   O objetivo deste encontro foi definir os critérios e instrumentos mais adequados para a proteção e/ou exploração racional dos remanescentes de Cerrado no Estado  (SMA/Boletim No. 2,  1995).

O Cerrado – Histórico.

            Warming  em 1892 escreveu o 1o tratado sobre o ambiente do Cerrado.  A partir dai este interessante Bioma tem sido objeto de incessantes estudos e pesquisas.         A partir dos trabalhos realizados e os conhecimentos adquiridos mencionaremos os seguintes comentários e resultados obtidos, alguns dos quais parecerão repetitivos, mas refletem o interesse que este sistema ecológico suscita e são importantes para quem desejar aprofundar seus conhecimentos, sendo esta revisão apenas uma referência para estudos mais sérios.

            Von Martius, o célebre naturalista e iniciador da “Flora Brasiliensis”, estabeleceu   em 1824 as seguintes divisões dos grupos florísticos:  A) Napaeas, das regiões dos vales extratropicais, não incluía o Estado de São Paulo;  B) Dryades, das regiões da Serra e das montanhas cobertas de florestas virgens. Aí estava compreendida a faixa litoral de São Paulo;  C) Oreades, das regiões montano-campestres, intertropicais, nesta divisão estava compreendido o resto de  São Paulo;  D) Hamadryades, das regiões quentes, secas e estereis das montanhas e areais;  E) Naiades, da região   Amazono-Orinocense; F) Vagas brazileiras, que se encontram por toda a parte;  G) Vagas extra – brazileiras, ou cosmopolitas e immigrantes aclimatadas.   O Cerrado foi definido como de domínio da Província Oreades, e para o Estado de São Paulo foram criadas outras duas divisões: Mata virgem e Campo, sendo que este último incluia as áreas de Cerrado. As matas virgens degradadas tendiam a formar Cerradões  (Löfgren, 1898).

            Em 1938 o Departamento de Botânica da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo (USP) começou a se interessar por este tipo de vegetação e a partir de então foram publicados inúmeros trabalhos de pesquisa realizados principalmente em Emas (Pirassununga).  Também se pesquisou em Campos do Mourão (Paraná), Campo Grande (Mato Grosso do Sul) e Goiânia (Goiás).  Em 1962 se realizou o Primeiro Simpósio sobre o Cerrado, em São Paulo (Ferri, 1969).

            O Cerrado é uma savana tropical, com relativamente alta disponibilidade de água e baixa disponibilidade de nutrientes, na qual uma vegetação rasteira, formada principalmente por gramíneas, coexiste com  árvores e arbustos esparsos.  Ocupa cerca de 2 milhões de km2, ou 22% do território nacional. Está localizado predominantemente no Planalto Central e constitui-se a segunda  maior formação vegetal brasileira, sendo a primeira a Floresta Amazônica.  Estende-se de 5o  a 20o  de Latitude Sul e de 45o   a 60o Longitude Oeste.

          Possui clima tropical estacional, com chuvas da ordem de 1500 mm anuais            (média), mais de 90% da precipitação ocorrem de Outubro a março; a temperatura média em sua parte sul, onde há influência de massas polares de ar e altitudes mais pronunciadas é de 22o  C.  Na porção norte, onde as altitudes são menores e há maior influência das condições climáticas equatoriais, a temperatura média é de 27oC (WWF, 1995).  O Bioma do Cerrado está delimitado pelas maiores bacias hidrográficas da América do Sul, ficando dentro da zona de influência das bacias dos rios Amazonas, Paraná, Tocantins e São Francisco, sendo  grande a sua biodiversidade. SIQUEIRA  (1988)  informa que os Cerrados ocupam cerca de 20% do território nacional formando faixas contínuas nos Estados de Goiás, Minas Gerais, oeste da Bahia, leste do Mato Grosso, sul do Maranhão e norte do Piauí.  Existem faixas descontínuas nos Estados de São Paulo, Paraná, Ceará, Pernambuco, Roraima e território do Amapá.

A vegetação de Cerrado, apresentando-se como savana, campo ou mata, cobre aproximadamente um quinto do território brasileiro, tendo seu núcleo no Planalto Central nos Estados de Goiás, Bahia e Minas Gerais. Desse núcleo, o Cerrado se estende até os Estados do Maranhão e do Piauí e, cobrindo grandes áreas de Mato Grosso, chega à Rondônia. No Sul ele ocorre em forma de “ilhas” nos Estados de São Paulo e Paraná, onde alcança o seu limite meridional. (Eiten, G. 1972).

             Conforme Mantovani (1983) abarca a região oeste de Minas Gerais e da Bahia e o leste do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul; Gianotti e Leitão Filho (1992) mencionam uma área periférica, disjunta, abrangendo parte da Amazônia, dos estados nordestinos, de São Paulo, do Paraná e atingindo o leste do Paraguai.  Assim, os Cerrados ocupam aproximadamente 25% do Território Brasileiro conforme Ferri (1974).   Joly (1970) e Ferri (1980) consideram que podem abranger de 20 a 25% do País.

Algumas Características

             As rochas que dão origem aos solos  de Cerrado têm idades que variam de  570 milhões a 4,70 bilhões de anos.  Cerca de 46% de seus solos são profundos, bem drenados e possuem inclinações  leves, comumente menores que 3%.  Na sua maioria são ricos em argila e óxido de ferro, que lhes dá a cor avermelhada característica.  Aproximadamente 90%  dos solos são distróficos, ou seja, são ácidos, de baixa fertilidade (baixa concentração de matéria orgânica, e nutrientes como cálcio, magnésio, fósforo e potássio) e alta concentração de ferro e alumínio.  A alta concentração de alumínio nos solos pode inibir a absorção de nutrientes pelas raízes ou mesmo causar toxidez às plantas (WWF, 1995).   O clima é estacional, com duas estações bem definidas: seca e úmida.  Em relação à  origem da vegetação do Cerrado  especula-se que a estacionalidade climática,  a pobreza nutricional do solo, e a ocorrência de fogo sejam os determinantes primários da vegetação  (WWF, 1995). 

Dalbergia miscolobium Benth. (Cabiuna do Cerrado) ,  frente à Casa Somé.

 

            Devido a sua vasta extensão territorial destaca-se pela riqueza de sua biodiversidade, que é estimada  em cerca de 166 mil espécies (SMA/Boletim No. 2, 1995).  A flora do Cerrado é considerada a mais rica dentre as savanas do Mundo, a fauna de vertebrados é rica, apesar de haver um baixo endemismo de espécies (WWF, 1995).

            No Cerrado também nascem as principais bacias hidrográficas brasileiras, A Amazônica, a do Paraná-Paraguai e a do São Francisco.

            A grande maioria dos solos brasileiros apresentam algum tipo de limitação à produção agrícola (Madeira Netto et al. 1982). Cerca de 86% da superfície do país é constituída por solos problemáticos. Dentre eles, pela ordem, se situam: os Latossolos (oxissolos); os Podzólicos Vermelho-Amarelos distróficos (ultissolos); as Areias Quartzosas (entissolos); os Litossolos (inceltissolos) e os Planossolos (ultissolos, alfissolos e malissolos)

            Nos Cerrados, os solos predominantes são: Latossolo Vermelho-Amarelo, Latossolo Vermelho-Escuro, Areias Quartzosas, Laterita Hidromórfica, Solo Gley, Podzólico Vermelho-Amarelo e Latossolo Roxo, existindo também áreas de ocorrência de Terra Roxa estruturada ao Norte do Estado de Goiás, Sudoeste de Mato Grosso do Sul e Alto do Rio São Francisco, em Minas Gerais, principalmente.

            A expansão agrícola no Cerrado foi facilitada pela construção da nova Capital Federal no final dos anos 50 e a adoção de estratégias e políticas de desenvolvimento e investimentos em infra-estrutura entre  1968 e 1980  (WWF, 1995).

            O estabelecimento em 1975, do POLOCENTRO (Programa de Desenvolvimento dos Cerrados) propiciou os mecanismos para aproveitar o potencial dos Cerrados na expansão da fronteira agrícola e no aumento da produtividade desde que se “construam” solos agrícolas ao longo do tempo, através da  “adubação corretiva e de manejo adequados”, conforme Wagner (1990).

            As estratégias adotadas para o desenvolvimento se apoiam nos seguintes

          princípios:

          -  Incorporação de novas áreas de Cerrados ao processo produtivo;

          -  Aumento da produtividade dessas áreas.

            Conforme estimativas da época, a ocupação plena de toda a área arável dos Cerrados, e o emprego de tecnologia, permitiriam produzir 125 milhões de toneladas de grãos, 8 milhões de toneladas de carne e 600 milhões de m3 de madeira (Goedert et al., 1980).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Degradação do Cerrado

 

            Naquela época, a região era dimensionada em 180 milhões de hectares, com pelo menos 50 Milhões de hectares de terras aráveis aptas à produção de cereais  (EMBRAPA/CPAC, 1976).

            O Cerrado foi dividido em 4 quadrantes demarcados pelo paralelo 140 S e pelo meridiano 520 W. Essa demarcação considera parâmetros climáticos, geológicos, geomorfológicos, fitofisionômicos, infra-estrutura, população e produção.  

Numa projeção otimista de desenvolvimento agropecuário, e lamentável para o Cerrado, o total de terras abertas até o ano 2000 seria de 87,9 milhões de hectares ou 48,8% da superfície do Cerrado.  Sendo que os principais obstáculos à conservação da biodiversidade do Cerrado são: baixo valor atribuído aos seus recursos biológicos; exploração dos recursos visando apenas o lucro;  insuficiência de conhecimentos sobre ecossistemas e espécies.   Assim, devem ser prioridades:  buscar informações ecológicas básicas, valorizar economicamente os serviços ecológicos fornecidos pela biodiversidade, determinar as forças que levam à perda da biodiversidade.  A capacidade de suporte dos principais solos do Cerrado deve ser definida pela sua aptidão agroecológica  (WWF,  1995). Este Bioma vem sofrendo, principalmente nas regiões Centro-Oeste e Sudeste, pesados impactos nos últimos anos, sobretudo pelo aumento de grandes projetos nacionais e multinacionais, visando a sua ocupação, com atividades intensivas de agricultura, pecuária e reflorestamento. Além das conseqüências edáficas, climáticas e ecológicas, estamos perdendo também o contato com as espécies nativas, não valorizando o grande potencial  das plantas na medicina popular  (Siqueira, 1988)

            A degradação ambiental no Cerrado é função do uso que se faz da terra, que depende da tecnologia e do investimento aplicados.  A intensidade de uso do solo do Cerrado não deve ultrapassar sua capacidade de suporte, ou seja, sua capacidade produtiva  (WWF,  1995).

            A realização de pesquisas fitossociológicas em áreas de Cerrado deverá tornar-se ainda mais difícil se continuar o  atual estado de devastação.  Esta vem ocorrendo desde o início do Século, principalmente  devido ao grande potencial do Cerrado como fornecedor de lenha para uso doméstico, carvão vegetal, mourões  de cerca, além do uso das áreas como pasto natural na pecuária e, muitas áreas cederam lugar à plantação de Eucalyptus sp. conforme Cavassan (1990). 

            O Eucalipto devido a sua capacidade de desenvolver-se em solos ácidos e sendo tolerantes às concentrações elevadas de alumínio no solo, se adapta bem nestas áreas; também a criação de gado que pastando no Cerrado vai derrubando as árvores, comendo as folhas e galhos tenros das plantas e propiciando a  degradação deste Bioma.

             Na ABD temos observado vacas pastando árvores de Barbatimão e outras leguminosas próprias  do Cerrado.  Também quando as áreas ficam isoladas e são pequenas acontece o mesmo processo de degradação, aos poucos as plantas vão desaparecendo.

            Recentemente as áreas de Cerrado têm sido utilizadas para cultivos agrícolas como trigo, café, citricultura e silvicultura, como Pinus.  A cultura da cana-de-açúcar, avança sobre terrenos arenosos, originalmente ocupados pela vegetação de Cerrados.  Apesar da baixa fertilidade do solo, que requer gastos com adubação, a proximidade dos centros consumidores e a topografia, facilitando a mecanização, compensam sua ocupação (Toledo Filho,  1984).

            O modelo de ocupação agropecuária nas terras de Cerrado caracteriza-se principalmente pelo aumento da produção obtido graças à incorporação de novas terras, e não por meio de ganhos em produtividade.  Conseqüentemente extensas áreas  da  região  tem sido  desmatadas.     Atualmente  tornaram-se comuns a erosão dos solos, a contaminação de aqüíferos e a redução da biodiversidade (WWF,  1995).

            Várias lavouras de grãos experimentaram crescimento vertiginoso.  Entre elas destaca-se a soja (WWF,   1995).

            Por sua vez,  Shiki  (1995) discute  alguns aspectos da sustentabilidade da agricultura nos Cerrados Brasileiros, a busca de uma abordagem de um sistema agroalimentar sustentável, que implica a inclusão dos marginalizados do moderno sistema produtivo.

            As sociedades indígenas têm morado na Amazônia durante milênios e durante esse tempo desenvolveram suas próprias estratégias de manejo de florestas e Campos/Cerrados.  Os Kayapós consideram as florestas como um sistema integrado de comunidades vegetais que incrementa a diversidade biológica e proporciona abundantes recursos naturais, dentro de um contexto ecológico-social firme, conforme Addison Posey (1985).  Os Kayapós  classificam o Campo/Cerrado (Kapôt) em várias categorias, entre as quais: Kapôt kêin ou campo limpo com poucas árvores; Kapôt punu ou campo fechado com arbustos; Kapôt kam ou campo sazonalmente inundado.  De especial interesse para os Kayapós são as ilhas de florestas (apêtê)  que ficam num Campo/Cerrado.

 

Ocorrência de Cerrado no Estado de São Paulo

            Conforme Victor (1975)  no início do Século XIX as formações de Cerrado ocupavam aproximadamente 18,2%  do Estado de São Paulo.    Por sua vez Serra Filho et al. (1974) calcularam que o Cerradão, o Cerrado e o Campo Cerrado, cobriam respectivamente 105,390 ha (0,42%), 784,990 ha (3,16%) e 148,390 ha (0,60%) , correspondendo a 4,18% do território do Estado.

            No Estado de São Paulo, em 1985, os Cerrados ocupavam 14% de seu território, atualmente restam menos de 2%, conforme o Projeto Olho Verde; mais exatamente, ocupa  1% da área do Estado (248,8 mil km²) e só 18% do que resta é protegido por 32 unidades de conservação é de reserva legal (Fiori e Fioravanti, 2001).

Conforme Marisa  Dantas Bitencourt, Coordenadora do Projeto  “Viabilidade de Conservação dos Remanescentes de Cerrado do Estado  São Paulo,   do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), dentro do Programa BIOTA – FAPESP,  em 2001 foi detectada uma perda de 34% da vegetação em relação ao inventário publicado em 1993 pelo Instituto florestal de São Paulo.

 A situação é crítica porque além da ameaça à biodiversidade, os estoques  do Aqüífero Guraní (antes chamado de Botucatu), uma das maiores reservas de água subterrânea do mundo estão amaçados pela degradação ambiental,  pelo avanço da fronteira agrícola e uso de fertilizantes e agrotóxicos, que podem infiltrar-se no solo e alcançar e contaminar  o lençol freático.   Em torno de   9,22% da vegetação nativa restante no Estado é Cerrado.  Estas áreas impressionam pelas árvores e arbustos retorcidos, caules recobertos de espessas cascas e folhas grossas, brilhantes  ou revestidas por um denso conjunto de pêlos (Cerrado. DEPRN/SMA).

            No Estado de São Paulo, ocorre principalmente na região Centro-Norte, interrompido por outras fisionomias de vegetação conforme  a região, por exemplo, perto de Campinas,  de Ribeirão Preto, Franca e Altinópolis, conforme Toledo Filho (1984).      

            O Cerrado é uma vegetação tipicamente tropical que ocorre no Brasil em regiões onde a temperatura média é de 20-26o C e com  uma pluviosidade média entre 800 e 2,000 mm. Em regiões com menos de 800 mm de chuva forma-se Caatinga e, acima de 2,000 mm, a Floresta Amazônica e a Floresta Atlântica (Eiten, 1972).

            O clima do Cerrado também é caracterizado pela alternância de um período seco (no Planalto Central, considerado inverno) e outro de chuva (verão). Por exemplo, em Botucatu, conforme Tubelis et al. (1971), a média de chuva por ano é de 1350 mm, porém somente 250 mm são dos meses de abril a setembro, e o restante de 1100 mm é de outubro a março.

            Assim, o clima é responsável pela mudança do aspecto de um Cerrado nos períodos de seca e chuva. Apesar de muitas das árvores e arbustos, com suas raízes profundas, alcançarem a umidade do lençol freático, e, aparentemente não sofrerem falta de água, pois até florescem nesse período (Ferri, 1961b), a camada rasteira, formada por gramíneas, pequenos arbustos, subarbustos  e ervas,  seca totalmente.    Muitas das plantas “desaparecem” da superfície, enquanto as suas partes subterrâneas permanecem e brotam no próximo período de chuva  (Silberbauer – Gottsberger, 1982).

            Ferri (1944)  informa que a maioria das plantas maiores do Cerrado podem alcançar a lâmina d’água com suas raízes até 20 m ou mais de profundidade.

            Além do clima, o solo é outro fator importante para a ocorrência do Cerrado.  Ém muitos casos é um Latossolo Vermelho -  Amarelo, arenoso, e na sua maioria possui drenagem excelente.   É um solo antigo, profundo, lixiviado, muito ácido, pobre em matéria orgânica e sais minerais e com teor alto  de íons de alumínio (Ranzani G.,  1971; Goodland, 1971a; Goodland, 1971b; Eiten; 1972).

            As plantas estão adaptadas  aos Latossolos ácidos e profundos (argilosos ou arenosos  e ricos em alumínio (Ferri, 1961).

            As plantas de Cerrado estão bem adaptadas a essas condições e algumas são até capazes de acumular o alumínio em quantidades normalmente tóxicas  para as plantas (Goodland,  1971b).  O xeromorfismo das plantas do Cerrado, em parte é causado pela falta de nutrientes – xeromorfismo oligotrófico (Arens et al.  1958;  Ferri.  1955;  Ferri, 1961); os caracteres xeromórficos das plantas do Cerrado parecem ser genotípicos (Handro,  1966).

            As plantas do Cerrado, na sua maioria, são xeromórficas. As árvores possuem ramos tortos com casca grossa e suberosa. As folhas, na sua maioria, são grandes, coriáceas, brilhantes ou pilosas. Muitos dos arbustos, subarbustos e ervas possuem órgãos subterrâneos bem desenvolvidos como, por exemplo, xilopódios (Eiten, 1972).

            Xilopódio: tubérculo lenhoso e gemífero de muitas plantas subarbustivas dos campos.  Origina-se do hipocótilo  ou da raiz primaria, raramente englobando parte do caule, armazenam água  e alimento; durante a época seca persiste no solo, e ao voltarem as chuvas rebrota, refazendo a parte aérea, que é, pois, anual.  É, assim, um órgão perene, que permite às plantas resistirem a condições ambientais inclementes  (Novo Dicionário Aurelio).

            O tipo de Cerrado que se estabelece num lugar depende da fertilidade do solo.  O Cerradão, a forma de mata,  cresce em cima de solos melhores, enquanto o Cerrado (stricto sensu),  a forma de savana, com árvores mais ou menos densas, o Campo Cerrado, a savana aberta, e o Campo Sujo, campo sem árvores e arbustos, acompanham solos cada vez piores (Coutinho,  1978; Eiten, 1972).  Estas formas do Cerrado, bem como altura e o grau de densidade de suas árvores e seus arbustos, estão relacionados com o gradiente de fertilidade ( Goodland, 1971b;  Coutinho,  1978).

            Os diferentes tipos savânicos que caracterizam a vegetação dos Cerrados, são, às vezes, substituídos por outras formações vegetais:  quando as compensações aos fatores limitantes são plenas, os Cerrados são substituídos por diferentes tipos de matas, como em 1824  Mata de Galeria, quando a compensação é hídrica e Matas Mesofíticas, quando a compensação é edáfica  (estas últimas se estendem como inclusões florestais por 5% da superfície dos Cerrados.  As principais  espécies dos estratos arbóreos e arbustivos são a Lixeira (Curatella americana), o Barbatimão (Stryphnodendron adstringens), Faveiro (Dimorphandra mollis), Pau-santo (Kielmeyera coriacea), Pau-terra (Qualea grandiflora) e Murici (Byrsonima coccolobifolia), de acordo com  Adámoli et al. (1990).

            Em geral, os Cerrados recobrem chapadas e são penetrados por florestas de galeria (Ab’saber, 1971).            Rizzini (1963)  afirmou que o Cerradão é uma floresta estacional xeromorfa e admitiu que o grosso de suas espécies provem das florestas mesófilas semidecíduas e vice-versa.  Cerradão é um tipo de floresta na qual as mesmas arvorezinhas tortuosas e distantes do Cerrado ou savana ocorrem sob a forma  de arvores altas retilíneas e agrupadas. Para Coutinho (1978)  a área de Cerrado varia desde campo limpo, com paisagem campestre, passando pelos campos sujos, campos Cerrados e Cerrados propriamente dito, até cerradão, este último com aspecto florestal.  Esta paisagem ocorre conjuntamente com as florestas ciliares ou de galeria ao longo dos cursos de água.  A flora do Cerrado se torna mais rica nas proximidades dos cursos d’água, devido à presença de uma zona de mata de transição.

            Já em 1898, Löfgren  observou que o Cerradão seria uma região de transição entre Mata e Cerrado, sendo que no Cerradão existem várias espécies próprias das matas, porém não alcançam igual desenvolvimento.  Entre elas a Copaifera langsdorffii ou Óleo de  Copaiba. 

 

 

 

 

 

 

 

 

Óleo de Copaiba

 

            Cavassan  (1982)  encontrou Copaifera langsdorffii e Protium heptaphyllum no Cerrado e na mata da reserva Estadual de Bauru.  Silva (1980), reporta que na Mata Atlântica de  encosta  no Município de Ubatuba, São Paulo, foram encontradas 4 espécies que ocorrem no Cerradão.

A maior ou menor densidade de árvores e arbustos diferencia os tipos de Cerrado:  Campo Cerrado, Cerrado propriamente dito e Cerradão.  As espécies vegetais mais comuns no Cerrado são o Faveiro, a Copaiba,  o Angico-preto, o Barbatimão e a Lixeira   (Chão e Gente No. 14,  1995).

            Ribeiro et al. (1985)  observaram diferenças  na composição botânica entre três formas de vegetação savânica:

 

     Condições    Campo sujo      Cerrado      Cerradão
       
No. árvores/ha           203           911          2.231
 Cobertura arbórea %                6                              34                93
No. de espécies  De árvores               26              66                81
       

 

            O Cerradão assemelha-se a uma mata devido ao número de árvores presentes.  O número de árvores por hectare no Cerradão  é pelo menos 10 vezes maior que no Campo sujo, no qual predominam as plantas rasteiras.  A porcentagem de cobertura também varia grandemente conforme o tipo de vegetação.

                        A vegetação do Cerrado, por sua vez, caracteriza-se por savanas estacionais, com presença de matas de galeria perenes ao longo dos rios (WWF, 1995).

            Mais um fator de grande importância para essa vegetação é o fogo.  Parece que desde a origem do Cerrado o fogo foi um fenômeno freqüente.  A vegetação mais ou menos aberta com uma camada rasteira seca pode queimar facilmente, e o fogo se propaga sobre grandes áreas, especialmente durante o inverno.  Essas queimadas regulares influenciaram e influenciam a vegetação de Cerrado e são responsáveis pela diminuição da densidade de plantas lenhosas. É favorecida a permanência de plantas  que são aptas para resistir ao fogo, com as partes subterrâneas e cascas grossas e suberosas que protegem as plantas do calor (Rawitscher e Rachid, 1946; Rizzini,  1971; Coutinho,  1976).

            Para  muitas espécies, o fogo até induz o seu florescimento ( Coutinho, 1976 ; Coutinho, 1980).   Para Rachid-Edwards (1956)  as plantas do Cerrado estão adaptadas ao fogo, um evento mais ou menos freqüente nesta vegetação.

            A ocorrência de queimadas em algumas áreas de Cerrado é um dos principais fatores  que influenciam a fisionomia mais aberta da vegetação, em relação às áreas  protegidas do fogo, conforme Pivello-Pompéia (1985)

            Queimadas periódicas para “melhorar” o pasto abrem a vegetação, empobrecem e endurecem o solo, destroem o húmus e deixam os nutrientes serem lixiviados.  Áreas antigamente revestidas de mata, sob regime de queimadas anuais, podem ficar cobertas com Cerrado quando há um Cerrado natural perto como fonte de sementes. Quando um trecho de Cerradão é queimado repetidamente,  as árvores também desaparecem  (Eiten, 1970).  O Cerrado, então, é uma vegetação composta de plantas adaptadas a três fatores principalmente: ao clima sazonal, ao solo pobre em nutrientes e ao fogo.  Em conseqüência disso, o número de espécies de plantas é menor do que numa Mata Úmida e, certamente, menor do que na Mata Amazônica (Silberbauer – Gottsberger,  1982.

            O Cerrado é uma vegetação natural e tem composição florística própria, mas também tem espécies acessórias da mata ou dos campos (Rizzini,  1963; Silbebauer – Gottsberger et al., 1977).    São poucas as espécies que ocorrem sobre toda a área do Cerrado, por exemplo, Hancornia speciosa (mangabeira), Stryphnodendron adstringens (barbatimão), Qualea grandiflora (Pau-terra),  Bowdichia virgilioides (sucupira) e Dimorphandra mollis (Faveiro).  Por outro lado, existem espécies endêmicas,  que ocorrem  somente  numa região limitada como, por exemplo,  Cassia labouriaeae Irwin & Barneby ou Mimosa rigidicaulis A. Burkart, no Cerrados do Estado de São Paulo.

A flora do Cerrado é conhecida apenas  parcialmente.  Existem listas de espécies do Cerrado, por exemplo, para a região de Lagoa Santa (Warming, 1898.), ou para as plantas lenhosas do Planalto Central com 537 espécies (Rizzini,  1963);  já  Heringer  et al., (1976) encontraram um número maior de espécies, 744. 

            Eiten (1963) menciona  a existência de 210 espécies do Cerrado da Fazenda Campininha, no Estado de São Paulo.  Quando comparado com outras vegetações desse tipo no mundo, o Cerrado é uma das mais ricas em espécies por unidade (Eiten,1978).  Por exemplo, um hectare de  Cerrado de densidade média em Brasília, contém 320 espécies  ( Heringer,  1971). 

Por sua vez, Eiten (1978) em 0,1 hectare achou 230 espécies de plantas vasculares, contando também as plântulas.  O número de espécies vasculares na região do Cerrado diminui em direção do centro de sua distribuição à sua periferia.  Mas até agora nem se tem o número aproximado de espécies do Cerrado como um todo (Silberbauer – Gottsberger,  1982).

 

 

Barbatimão

 

                                               Faveira

            Vincent et al. (1992) realizaram um estudo fitossociológico em área disjunta de Cerrado de 1 hectare  em Emas, Pirassununga, SP.  O solo é do tipo Latossolo Vermelho-Amarelo fase arenosa.  O local  vem sofrendo queimadas freqüentes em alguns trechos, em intervalos que variam de 1 a 3 anos, enquanto outros são preservados do fogo e apresenta fisionomias de transição entre o campo sujo do Cerrado ao cerradão.   Foi escolhido um trecho de Cerrado com fisionomia intermediária entre campo sujo e o Cerrado sensu stricto.

O componente arbóreo foi analisado através de  20 parcelas  de  10 X 20 m, amostrando-se os indivíduos com perímetro de caule a 10 cm do solo igual ou superior a 8 cm, e o herbáceo  com o uso  do método de pontos.   O total de espécies identificadas foi de 123, estando 95 representadas no componente herbáceo-subarbustivo e 46 no arbustivo-arbóreo, havendo 18 espécies comuns aos dois estratos.  Observaram que  67,4% das espécies amostradas perenes (têm estruturas epigéias permanentes); as outras 30,1% eram espécies sazonais (perdem a porção epigéia na estação seca) e 2,4% anuais  (Epigeu: que está sobre a terra, acima do solo).

            No componente arbóreo foram identificadas 47 espécies de 38 gêneros e 22 famílias, salientando-se Byrsonima coccolobifolia (Malpighiaceae),  Erythroxylum suberosum (Erythroxylaceae), Stryphnodendron adstringens (Leguminosaeae) e Kielmeyera coriacea (Guttiferae), que representaram 42,2% do índice de valor e importância. 

  No estrato herbáceo-subarbustivo, amostraram-se 95 espécies, 79 gêneros e 37 famílias, tendo-se ressaltado Echinolaena inflexa (Gramineae) e Psidium suffruticosum (Myrtaceae), que representaram 34,5% do índice de valor e importância.   Os autores elaboraram uma Tabela contendo as espécies amostradas, formas de vida e distribuição nos diferentes  estratos.

            Para Toledo Filho et al. (1984)  a composição da flora e da fauna do Cerrado tem características peculiares:  há presença  de espécies comuns em diferentes áreas de Cerrado no Estado;  as espécies se comportam diferente conforme o local;  existem espécies exóticas e até não características do Cerrado;  já  Rizzini (1979) comenta que estas ocorrências podem dever-se à retração da área originalmente ocupada pelo Cerrado iniciada no Período do Holoceno, provocando a fragmentação do Bioma em áreas disjuntas  que tem sofrido de forma diferente os efeitos dos fenômenos atmosféricos e das queimadas (Ação Antrópica).

            Giannotti e Leitão Filho (1992) realizaram um levantamento florístico de uma área de Cerrado, na Estação Experimental de Itirapina (SP), localizada num solo de tipo Latossolo Vermelho-Amarelo fase rasa, de baixa fertilidade e com alta percentagem de alumínio.   Amostraram 25 parcelas de 25 X 10 m cada uma e consideraram todos os indivíduos arbustivo-arbóreos com diâmetro de caule igual ou superior  a 3 cm ao nível do solo ou com uma altura superior a 2 m, independentemente do diâmetro. Foram identificados 4822 indivíduos, pertencentes a 118 espécies, 87 gêneros e 46 famílias.

            Entre as espécies mais conspícuas em Itirapina estão: Vochysia tucanorum, Ocotea pulchella, Myrcia língua, Rapanea umbellata, Myrcia pallens,  Dalbergia miscolobium e Gaupira noxia.   As famílias com maior riqueza de espécies  foram Leguminosae, Myrtaceae e Rubiaceae.   Observaram que fatores de clima, solo, fogo, geada e efeitos de perturbação de origem animal e humana provocam bruscas mudanças fisionômicas e florísticas nas áreas de Cerrado.

            Num levantamento conduzido em Moji-Guaçu por Gibbs et al. (1983) e em Luiz Antônio por Toledo Filho (1984) também foi observada a predominância destas três famílias de plantas.

 

CERRADO DE BOTUCATU

            Silberbauer e Eiten (1983, 1987) fizeram um levantamento quantitativo de um hectare de Cerrado, localizado no Município de Botucatu, Estado de São Paulo (22o 45’ S; 48o 25’ W; 550 m de altitude).  O hectare estava coberto por um Cerrado de densidade média e continha 277 espécies de plantas angiospérmicas, pertencentes a 134 gêneros e 67 famílias.  Desse total 54 espécies são representadas como plantas lenhosas grossas com um tronco maior do que dez centímetros em circunferência e entre 0,5 e 8 m de altura, sendo um total de 4.195 indivíduos.  169 espécies são arbustos finos e arbustos pequenos e 108 espécies são herbáceas.  A soma desses números é maior do que o total de espécies, porque várias espécies ocorrem tanto como elementos lenhosos finos como grossos.

            Os autores relatam que das 277 espécies do hectare, 54 (16%) são medicinais ou tóxicas.  Outras 163 (59%) também podiam se revelar como tais, já que existem qualidades medicinais ou tóxicas em espécies afins ou  na família.  Das 54 espécies medicinais, 22 são árvores ou arbustos grossos (41% do total de espécies dessa categoria no hectare), 19 são arbustos finos ( 11% do total) e 13 são herbáceas (12% do total). A percentagem maior de árvores e arbustos grossos entre as espécies conhecidas como medicinais se deve ao fato de que essas plantas maiores são mais bem conhecidas pelo povo e pelos botânicos.  No total talvez se possa estimar que 60% a 70% de todas as espécies do Cerrado possuem substâncias tóxicas ou medicinais. 

            Em Botucatu encontraram quatro espécies  medicinais entre as 8 espécies mais representadas, três nos primeiros lugares, sendo na seqüência: Erythroxylum suberosum (860 indivíduos), Styrax ferruginea (250 indivíduos), e Qualea grandiflora (183 indivíduos).  Stryphnodendron adstringens, com 185 indivíduos, estava no oitavo lugar.  Entre os arbustos finos, as espécies Byrsonima intermedia, Duguetia furfuracea, Schefflera vinosa,  e Cassia rugosa estão bem representadas.  As ervas medicinais, são raras, pois a camada rasteira herbácea é composta por gramíneas, predominantemente (Silberbauer – Gottsberger,  1982).  

            A altitude exata é importante já que em São Paulo a precipitação aumenta consideravelmente com a altitude.  As diferenças em temperatura provavelmente fazem a diferença na região somente em relação às geadas fortes.  Somente uma pequena proporção do Cerrado no lado Sul do País, experimenta geadas, conforme  Silberbauer – Gottsberger e Eiten (1987). O Sudoeste de São Paulo tem  de 1 a 4 dias de geadas suaves por ano no inverno, segundo   Setzer (1946).

            A cada certo tempo ocorre uma geada forte que acaba com  muitas culturas, como Café, e danifica uma pequena porção das plantas nativas do Cerrado (Silberbauer-Gottsberger, Morawetz e Gottsberger, 1977).  As pontas dos galhos, alguns galhos e raramente toda a parte aérea da planta morrem, porém se ocorrer a morte de toda a parte aérea as plantas do Cerrado rebrotam a partir de suas partes subterrâneas na estação seguinte.

            Conforme Silberbauer-Gottsberger (1982) a vantagem  na utilização de plantas medicinais do Cerrado em comparação com as plantas de uma floresta, pode estar na facilidade de penetração nesta vegetação e, consequentemente, no transporte facilitado.  Outra vantagem podia ser a relativa facilidade de reconhecimento e reencontro de espécies e indíviduos das plantas  exploradas, bem como o fato de que certas espécies estão representadas com um número de indivíduos relativamente elevado.  Muitas espécies têm  uma grande capacidade de regeneração vegetativa, como por exemplo o Barbatimão, o Pau-terra e a maioria das plantas da camada rasteira. 

 

 

Pouteria torta – Abiu do Cerrado

 

            Perante esse potencial do Cerrado, no caso presente em se tratando de plantas medicinais e tóxicas, sente-se também a necessidade de pleitear maior preservação dessa vegetação, principalmente, perante  projetos gigantescos de agricultura e pecuária (Vanzolini, 1980).  Devemos pensar em preservar áreas com cobertura vegetal original em forma de faixas suficientemente largas e ligadas entre si.  Estes “corredores”, além de permitirem a preservação de plantas, dariam também aos animais silvestres a chance de sobrevivência, mesmo aos que necessitam de áreas maiores, como por exemplo, a Onça, o Lobo guará  e a Ema. 

            Muitos animais também são dispersores de sementes e promovem a regeneração da vegetação (Gottsberger e Silberbauer Gottsberger, 1983).  A preservação do Cerrado também é essencial para a proteção da fauna apícola, que é de importância decisiva  para a polinização de muitas plantas cultivadas (Maracujá, Tomate, Melancia, etc.).  Assim, há vantagem em se plantar essas frutas entre os corredores de vegetação natural.

Outros insetos ou animais silvestres maiores poderiam ajudar ao combate às pragas.  O homem do campo encontraria madeira e caça suficientes e poderia se manter perto das plantações.  Desta maneira, haveriam inter-relações benéficas entre ecossistemas naturais e plantados.  Assim, o afamado Cerrado, com seu potencial madeireiro e suas terras inferteis, revela-se como um ecossistema com promissoras  utilidades até hoje pouco aproveitadas.

            Carvalho e Bego (1995), pesquisaram a presença de abelhas na Reserva Ecológica de Panga, Uberlândia, que é uma área de Cerrado.  Trigona spinipes Fabricius (Arapuá), Tetragonisca angustula angustula Latreille e Apis mellífera Linnaeus (Apidae) foram as espécies mais frequentemente encontradas na área.         

A Cidade de Botucatu está situada na Serra (Cuesta) de Botucatu, que alcança  até 950 m de altitude.  O planalto é formado por arenito Botucatu, com solo pobre e arenoso.  O lado  sul da Serra forma uma inclinação mais pronunciada do  que o lado Norte.  A área era originalmente coberta por florestas mesófilas, semidecíduas, Cerrados e faixas de capim nativo, bordeando florestas de galeria, distribuídas em forma de mosaico.  A vegetação natural está agora substituída em grande parte por culturas e pastagens.   O clima da região da Serra, a uma altitude em torno de 800 m é caracterizado por precipitação média anual de 1350 mm e temperatura  média de 19,4o C.   

    A estação chuvosa é de outubro a março, com precipitação de 1100 mm, e se alterna com a estação seca, de abril a setembro, com 250 mm de precipitação média.

                         Em Julho de 1975, a região de Botucatu, assim como grande parte do Sul e Sudeste do País, sofreu a menor temperatura em 57 anos.  O frio resultante danificou as culturas de café, cana-de-acúcar, bananas, etc., e a vegetação natural.  A menor temperatura registrada em campo aberto foi de 5,8o C, em 18 de julho, na Fazenda São Manuel, situada a 700m de altitude (Silberbauer-Gottsberger et al.,1977).

            Na área do experimento, na Fazenda Treze de Maio, haviam 60 hectares remanescentes de vegetação natural, mais ou menos imperturbadas nos últimos cinco anos anteriores.  A vegetação variava desde árvores densas e arbustos (Cerradão) na parte alta até uma forma bastante aberta (Campo Cerrado), separadas estas formações por um vale estreito com floresta de galeria. Numa área de aproximadamente 1,5 hectare de  Cerrado sensu stricto foram examinados 151 indivíduos de 50 diferentes espécies  lenhosas.   Em algumas espécies, as  árvores maiores mostraram maior nível de dano: Plathymenia reticulata, Caryocar Brasiliensis, Eriotheca gracilipes, Tabebuia ochracea e Styrax ferruginea.  Em outras espécies, os indivíduos mais pequenos foram mais danificados: Qualea grandiflora, Annona coriacea, Qualea multiflora, Xilopia aromática, Couepia grandiflora e Ouratea spectabilis.     Na maioria das espécies, contudo, não houve correlação entre altura e nível de dano.  80% das espécies não mostraram dano.  Miconia albicans e Xylopia aromática foram totalmente danificadas.  As espécies Acosmius subelegans, Machaerium acutifolium, Anadenanthera falcata (Angico do Cerrado) não apresentaram danos.

            Duas espécies diferentes do mesmo gênero tiveram comportamento diferente: Tabebuia ochracea, a mais freqüentemente encontrada, não mostrou sinais de dano e é encontrada até Assunção, Paraguai (Bureau e Schumann, 1897), enquanto que Tabebuia  caraiba, a menos freqüente, é  encontrada no grupo de árvores mais danificadas.  Outras espécies:  Tocoyena formosa é mais resistente ao frio e é a mais freqüente na região, Tocoyena brasiliensis é menos resistente e menos freqüente, se localiza mais na Amazônia.   Assim é possível observar que existe certa correlação entre o dano por geada das espécies, sua distribuição geográfica  e a freqüência de indivíduos.  O frio é considerado um dos fatores seletivos que provavelmente influenciam a composição florística  do Cerrado, no seus limites no Sul do Brasil (Eiten, 1972)

            A área de Cerrado da Fazenda 13 de maio, que era uma amostra representativa muito importante desta formação no Estado de São Paulo, onde se conduzia pesquisa por mais de 15 anos, foi completamente clareada em 1983.

            Num outro estudo, conduzido por Silberbauer-Gottsberger e Gottsberger, (1984) foram estudados um hectare de vegetação de Cerrado (com monte baixo, de 3 a 8 m e cobertura de 50%)  e um hectare de Cerradão, com formação de árvores de 10 a 12 m de altura e com o estrato de copas fechado.  O número relativamente baixo de 102 espécies vasculares do Cerradão em comparação com as 270 encontradas no Cerrado, se explica parcialmente pela quantidade quase 20 vezes maior de espécies no estrato sub arbustivo (até 1 m de altura) do Cerrado.  As plantas lenhosas são representadas por somente 89 espécies no Cerradão e 133 espécies no Cerrado.  O Cerradão tem 65 de suas 102 espécies em comum com o Cerrado. 

            Entre as 270 espécies encontradas no Cerrado, 133 (49%)) eram lenhosas e 137 (51%) eram herbáceas.  No Cerradão, 89 espécies  eram lenhosas (87%) e 13 espécies (13%) eram  herbáceas.  No Cerrado se encontraram árvores como Plenckia populnea, Pouteria torta,  e Qualea multiflora; árvores e arbustos, Sclerolobium aureum, Stryphnodendron adstringens, Styrax ferruginea e Qualea grandiflora.  Como arbustos: Hancornia speciosa (mangaba), Kielmeyera coriacea (Saco de boi), Annona coriacea, Annona crassiflora, Erythroxylum suberosum, Bauhinia rufa(unha de vaca);  arbustos menores como Byrsonima verbascifolia (Murici), Miconia albicans, Schefflera vinosa, Lippia salviifolia, Tocoyena formosa, espécies indeterminadas de Eugenia, Campomanesia rufa (Gabiroba), outras Myrtaceas, Asteraceas, Jacaranda rufa, Caryocar brasiliense (Pequí), Ouratea spectabilis; entre as gramíneas, Tristachya leiostachya.  No Cerradão se encontraram 26 espécies arbóreas, entre as quais: Copaifera langsdorfii (Óleo de Copaiba), Ficus sp, Hymenaea sp (Jatobá), Myrcia fluribunda, Annona coriacea, Annona crassiflora (Frutas do Conde), Caryocar brasiliense, Dimorphandra mollis (Faveiro) e Ouratea spectabilis.  Arbustos como: Miconia sp, Alibertia sp, Casearia sp.  Algumas espécies em comum foram:  Anacardium humile (Cajueiro do Cerrado), Annona coriacea, Duguetia furfuracea, Aspidosperma tomentosum (Peroba do Cerrado), Jacaranda rufa, Caryocar brasiliense, Erythroxylum suberosum, Bauhinia rufa (Unha de vaca), Roupala montana (Carvalho brasileiro), Tocoyena formosa, Pouteria torta, Smilax irrigata, Styrax ferruginea, Aegiphila paraguarensis, Qualea grandiflora. Entre as epífitas: Bromelia e Zygocactus

O Cerradão denso é caracterizado por plantas reprodutivas com forma bem definida; na formação mais aberta do Cerrado as espécies arbustivas e arbóreas são férteis já em estados relativamente jovens.  Enquanto que um hectare de Cerrado no sentido estrito corresponde a uma área mínima suficientemente  grande para conter a maioria de espécies  herbáceas e lenhosas, uma área  de igual tamanho é provavelmente demasiado pequena para um estudo representativo sobre o Cerradão.  A densidade variou de 1.000 a 4.000 indivíduos/ha no Cerrado e de 200 a 5.000 indivíduos/ha no Cerradão.

            Muitas das plantas do Cerrado podem ser cultivadas para servirem de remédios naturais.  As plantas medicinais, ao longo dos anos, foram usadas pelos índios, caboclos, etc. e atualmente continua sendo nelas que as pessoas mais pobres buscam o alívio e a cura para seus males ( Septímio, 1994)

            Ilse Silberbauer-Gottssberger, Lenisia Ruas Septímio, J.C. Siqueira, entre outros,  tem pesquisado  as propriedades curativas das plantas nativas do Cerrado. 

            A  Lei 7.803/89 impede a derrubada do Cerrado sem prévia autorização do DEPRN e determina a preservação de no mínimo, 20% de cada propriedade rural como reserva legal.  Mas, é fundamental propor  aos produtores alternativas de conservação e manejo dessas áreas, de enriquecimento de sua matas de Cerrado,  de aproveitamento racional, sustentável e econômico  da vegetação com usos medicinais, alimentícios, artesanais, entre outros,  favorecendo a conservação dos recursos naturais e da biodiversidade.  Ao mesmo tempo, propor alternativas de uso das áreas agrícolas de suas propriedades mediante o estabelecimento e manejo de sistemas agrícolas integrados e sistemas  agroflorestais, consorciando  árvores com culturas e criação de gado, em harmonia com a natureza,  e que possibilitem o desenvolvimento social e econômico da população rural.

A Associação Brasileira de Agricultura Biodinâmica – ABD, no Bairro Demetria,   localiza-se na APA (Área de Proteção Ambiental) de Botucatu; dentro da propriedade coexistem área de Cerrado, zona de transição e mata ciliar.  Desenvolvendo uma agricultura em harmonia com o meio ambiente,  procura-se  proteger a vegetação do Cerrado estimulando o seu desenvolvimento e a sua regeneração  natural em áreas anteriormente degradadas.  Em conjunto com estudantes de Graduação do Departamento de Ciências Florestais da UNESP, Campus de Botucatu,  realizaram-se levantamentos florísticos e fitossociológicos para identificar as espécies existentes,  conhecer suas características e possível aproveitamento alternativo.   Como parte de um trabalho de pesquisa de um estudante de Pós-graduação do Departamento de Solos da ESALQ, foi avaliado o balanço e ciclagem de nutrientes no Cerrado e num sistema agroflorestal.  Desta forma procuramos  preservar a Biodiversidade e desenvolver  atividades  que nos permitam  fazer um uso racional dos recursos e criar alternativas viáveis economicamente para os agricultores da região e outras áreas de Cerrado.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Uso racional  de Cerrado – sistemas agroflorestais em áreas de entorno de vegetação natural

 

 

Na noite de 28 de junho de 2011, houve uma geada  muito forte na região e provocou a queima de muitas arvores e arbustos, tanto do Cerrado quanto da Mata, pastagens, culturas e áreas de horta.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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    reviews|content} {everyday|daily|every day|all the time} along
    with a {cup|mug} of coffee.|
    I {always|for all time|all the time|constantly|every time} emailed this {blog|weblog|webpage|website|web site} post
    page to all my {friends|associates|contacts}, {because|since|as|for the
    reason that} if like to read it {then|after that|next|afterward} my {friends|links|contacts} will too.|
    My {coder|programmer|developer} is trying to {persuade|convince} me to move to .net from PHP.
    I have always disliked the idea because of the {expenses|costs}.
    But he’s tryiong none the less. I’ve been using {Movable-type|WordPress} on {a number of|a variety of|numerous|several|various}
    websites for about a year and am {nervous|anxious|worried|concerned} about switching to another platform.
    I have heard {fantastic|very good|excellent|great|good} things about blogengine.net.
    Is there a way I can {transfer|import} all my wordpress {content|posts} into it?
    {Any kind of|Any} help would be {really|greatly} appreciated!|
    {Hello|Hi|Hello there|Hi there|Howdy|Good day}! I could have sworn
    I’ve {been to|visited} {this blog|this web site|this website|this site|your blog} before but after {browsing through|going through|looking at}
    {some of the|a few of the|many of the} {posts|articles} I
    realized it’s new to me. {Anyways|Anyhow|Nonetheless|Regardless}, I’m {definitely|certainly} {happy|pleased|delighted} {I found|I discovered|I came across|I stumbled upon} it and I’ll be {bookmarking|book-marking}
    it and checking back {frequently|regularly|often}!|
    {Terrific|Great|Wonderful} {article|work}! {This is|That is} {the type of|the kind
    of} {information|info} {that are meant to|that are supposed
    to|that should} be shared {around the|across the} {web|internet|net}.
    {Disgrace|Shame} on {the {seek|search} engines|Google}
    for {now not|not|no longer} positioning this {post|submit|publish|put up} {upper|higher}!

    Come on over and {talk over with|discuss with|seek advice from|visit|consult with} my {site|web site|website} .
    {Thank you|Thanks} =)|
    Heya {i’m|i am} for the first time here. I {came across|found} this board and I find It {truly|really} useful &
    it helped me out {a lot|much}. I hope to give something back and {help|aid} others like you {helped|aided} me.|
    {Hi|Hello|Hi there|Hello there|Howdy|Greetings}, {I think|I believe|I do believe|I do think|There’s no doubt that} {your site|your website|your web site|your blog}
    {might be|may be|could be|could possibly be} having {browser|internet browser|web browser} compatibility {issues|problems}.
    {When I|Whenever I} {look at your|take a look
    at your} {website|web site|site|blog} in Safari, it
    looks fine {but when|however when|however, if|however, when}
    opening in {Internet Explorer|IE|I.E.}, {it has|it’s got} some overlapping issues.
    {I just|I simply|I merely} wanted to {give you a|provide you with a} quick heads up!

    {Other than that|Apart from that|Besides that|Aside from that}, {fantastic|wonderful|great|excellent} {blog|website|site}!|
    {A person|Someone|Somebody} {necessarily|essentially} {lend a hand|help|assist} to make {seriously|critically|significantly|severely} {articles|posts} {I would|I might|I’d} state.
    {This is|That is} the {first|very first} time I frequented your
    {web page|website page} and {to this point|so far|thus far|up to now}?
    I {amazed|surprised} with the {research|analysis} you made to {create|make} {this actual|this particular} {post|submit|publish|put up} {incredible|amazing|extraordinary}.
    {Great|Wonderful|Fantastic|Magnificent|Excellent} {task|process|activity|job}!|
    Heya {i’m|i am} for {the primary|the first} time here.
    I {came across|found} this board and I {in finding|find|to find} It {truly|really} {useful|helpful} & it helped me out {a lot|much}.
    {I am hoping|I hope|I’m hoping} {to give|to offer|to provide|to present} {something|one thing} {back|again} and {help|aid} others
    {like you|such as you} {helped|aided} me.|
    {Hello|Hi|Hello there|Hi there|Howdy|Good day|Hey there}!
    {I just|I simply} {would like to|want to|wish to} {give you a|offer you a} {huge|big} thumbs
    up {for the|for your} {great|excellent} {info|information} {you have|you’ve got|you
    have got} {here|right here} on this post.
    {I will be|I’ll be|I am} {coming back to|returning to} {your blog|your
    site|your website|your web site} for more soon.|
    I {always|all the time|every time} used to
    {read|study} {article|post|piece of writing|paragraph} in news papers but now as I am a user of {internet|web|net} {so|thus|therefore} from now
    I am using net for {articles|posts|articles or reviews|content},
    thanks to web.|
    Your {way|method|means|mode} of {describing|explaining|telling} {everything|all|the whole thing} in this {article|post|piece of writing|paragraph} is {really|actually|in fact|truly|genuinely}
    {nice|pleasant|good|fastidious}, {all|every one} {can|be able
    to|be capable of} {easily|without difficulty|effortlessly|simply} {understand|know|be aware of} it, Thanks a lot.|
    {Hi|Hello} there, {I found|I discovered} your {blog|website|web site|site} {by
    means of|via|by the use of|by way of} Google
    {at the same time as|whilst|even as|while} {searching
    for|looking for} a {similar|comparable|related} {topic|matter|subject}, your {site|web site|website} {got here|came} up,
    it {looks|appears|seems|seems to be|appears to be like} {good|great}.

    {I have|I’ve} bookmarked it in my google bookmarks.

    {Hello|Hi} there, {simply|just} {turned into|became|was|become|changed
    into} {aware of|alert to} your {blog|weblog} {thru|through|via} Google, {and
    found|and located} that {it is|it’s} {really|truly} informative.

    {I’m|I am} {gonna|going to} {watch out|be careful} for brussels.
    {I will|I’ll} {appreciate|be grateful} {if you|should you|when you|in the event you|in case you|for those
    who|if you happen to} {continue|proceed} this {in future}.
    {A lot of|Lots of|Many|Numerous} {other folks|folks|other people|people}
    {will be|shall be|might be|will probably be|can be|will likely be} benefited {from your|out of your} writing.
    Cheers!|
    {I am|I’m} curious to find out what blog {system|platform} {you have been|you
    happen to be|you are|you’re} {working with|utilizing|using}?
    I’m {experiencing|having} some {minor|small} security {problems|issues} with
    my latest {site|website|blog} and {I would|I’d} like to find something more {safe|risk-free|safeguarded|secure}.

    Do you have any {solutions|suggestions|recommendations}?|
    {I am|I’m} {extremely|really} impressed with your writing skills {and
    also|as well as} with the layout on your {blog|weblog}.

    Is this a paid theme or did you {customize|modify} it yourself?
    {Either way|Anyway} keep up the {nice|excellent}
    quality writing, {it’s|it is} rare to see a {nice|great} blog like this one {these days|nowadays|today}.|
    {I am|I’m} {extremely|really} {inspired|impressed} {with your|together with your|along
    with your} writing {talents|skills|abilities} {and also|as {smartly|well|neatly} as} with the {layout|format|structure} {for your|on your|in
    your|to your} {blog|weblog}. {Is this|Is that this} a paid {subject|topic|subject matter|theme} or did
    you {customize|modify} it {yourself|your self}?
    {Either way|Anyway} {stay|keep} up the {nice|excellent}
    {quality|high quality} writing, {it’s|it is} {rare|uncommon} {to peer|to see|to look} a {nice|great} {blog|weblog} like this one {these days|nowadays|today}..|
    {Hi|Hello}, Neat post. {There is|There’s} {a problem|an issue} {with
    your|together with your|along with your} {site|web site|website} in {internet|web} explorer, {may|might|could|would} {check|test} this?
    IE {still|nonetheless} is the {marketplace|market} {leader|chief} and
    {a large|a good|a big|a huge} {part of|section of|component to|portion of|component of|element of} {other folks|folks|other people|people} will {leave out|omit|miss|pass over} your {great|wonderful|fantastic|magnificent|excellent} writing
    {due to|because of} this problem.|
    {I’m|I am} not sure where {you are|you’re} getting your {info|information}, but {good|great} topic.
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    {Hi|Hello}, i think that i saw you visited my {blog|weblog|website|web site|site} {so|thus}
    i came to “return the favor”.{I am|I’m} {trying
    to|attempting to} find things to {improve|enhance} my {website|site|web site}!I suppose its ok to use {some
    of|a few of} your\

  45. announce it in your site. Good luck!

  46. Thanks!!

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